HA-LAPID 3
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David, o rei psalmista, canta:
,Formaste a terra, os ceus são a tua obra, trans-
forma-los como um Vestuario e nunca são eguaís;
mas tu, ficas imutavel e os teus anos nunca acabam.
(Psalmo 102-26,38)
-Porque em ti é que está a fonte da vida, é a
tua luz que nos ilumina. (Psalmo 36,10)
-Adonai é bom para todos os seres, a sua mise-
ricordia estende-se sobre todas as suas obras. (Psalmo
145,9)
Isaias, o profeta, impulsionado pela divina inspi-
ração, diz:
-Eu sou Adonai, assim é o meu nome, nao ce-
do o meu culto a nenhum outro, nem os meus lou-
vores aos idolos. (Isaias, 42,8)
-Eu sou o primeiro e serei o ultimo; sem mim,
não existiria Deus. (Isaias, 41,6)
-Com quem me comparais, diz o Todo-Podero-
so, e qual é o ser que se pode chamar meu seme-
lhante? (Isaias. 40,25)
Samuel, profeta e juiz, sentencia:
-Ninguem é santo como Adonai porque não ha
outro como tu. (I Samuel, II-2)
O inspirado Malaquias, o profeta, afirma:
-Eu, Adonai, nunca mudei. (Malaquias 3,6)
Os nossos sabios ensinam:
-Deus julga o mundo com bondade. (Aboth 3,19)
Rabbi Moisés Ben-Maimun, nos 13 artigos da
Fê, diz:
-Creio com perfeita fé que o Creador, bendito
seja o seu nome foi o que creou e dirige todas as
creaturas e que foi Ele só que fez, faz e fará todas as
coisas;
... que o Creador, bendito seja o seu nome, é
Unico e que não ha unidade como a sua, sob nenhum
ponto de vista e que só Ele é nosso Deus, Ele existtu,
existe e existirá.
. . que Ele é incorporeo e nenhuma das pro-
priedades dos corpos lhe são aplicaveis, e que nada
absolutamente pode-lhe ser comparado.
... que Ele é o primeiro e o ultimo.
... que só Ele deve ser adorado e que ninguem
é digno de ser adorado alem d'Ele.
... que Ele conhece todas as acções dos homens
e todos os seus pensamentos, porque foi dito: "Aquele
que formou todos os seus corações, não sabe todas as
suas acções?
E Rabbi Salomão Ben-Gabirol no seu Ketter Mal-
khuth, entôa éste louvor:
-"Maravilhosas são as tuas obras, Senhor, e bem as
conhece a minha alma.
Senhor! Só a Ti pertencem a grandeza, o poder, a
gloria, o triunfo, a magestade.
Só a Ti, Senhor, pertencem a realeza, a superiori-
dade universal, a riqueza e a honra.
A Ti todas as criaturas dos céus e da terra teste-
munham que elas perecem e tu és Eterno.
A Ti a omnipotencia, da qual o pensamento hu-
mano debalde procura penetrar a essencia, porque
estás infinitamente elevado acima de nós.
Em Ti se encerra a força oculta, a causa intima e
o misterioso princípio de todo o ser.
A Ti o nome ínefável, que os homens mais sábios
ignoram.
Só a Ti o poder de sustentar o mundo no espaço.
A Ti a faculdade de chamares á luz o que esta na
obscuridade.
Só de Ti vem a graça que se espalha abundante-
mente sôbre tôdas as creaturas e a eterna felicidade
reservada para aqueles que te veneram.
Só a Ti o mistério de que nenhuma das mais pe-
netrantes meditações pode exprimir; a vida contra a
qual nada pode o aniquilamento; o trono sublime que
ultrapassa tôdas as alturas; a oculta residencia que
está situada nos céus mais ínacessiveis.
A Ti a existencia da luz da qual emanam todos os
seres e pela qual nós próprios existismos.
A Ti os dois mundos, aos quais determinaste o li-
mite: um é o das bõas ou más obras e o outro da re-
compensa ou castigo.
A Ti, só, enfim, a recompensa que preciosamente
guardas para os justos, a qual porque é excelente, lha
reservaste.
II
Tu és Uno; o começo de todos os numeros, o fun-
damento de todos os edifícios.
Tu és Uno; e perante a profundeza da tua unidade
os homens mais sábios ficam interditos, porque não
conhecem dela a essencia.
Tu és Uno; e a tua unidade nunca diminue, nun-
ca aumenta, nem pode sofrer alteração para se ames-
quinhar ou engrandecer.
Tu és Uno; mas não como a unidade que se adqui-
re ou se conta; porque não podes admitir nenhuma
modificação, nenhuma mudança, nenhuma qualifica-
ção, nem determinação.
Tu és Uno; a que nenhuma imaginação pode fixar
limite, nem pode dar uma definição.
Tu és Uno; e, este Uno cuja excelencia é tão ele-
vada, não é susceptível de queda alguma, "é possivel
com efeito que o Ser-Uno possa decair?
III
Tu existes, e nenhum ouvido te pode perceber.
nenhum olho te pode enxergar, o porquê, o como é
a negativa não podem referir-se a Ti.
Tu existes, mas por Ti só e nenhum outro parti-
lha a Tua existencia.
Tu existes, mas Tu existias antes do proprio
tempo, e acima do espaço.
Tu existes, e o misterio da Tua existencia é ina-
tingivel.
Quem saberá penetra-lo? E' demasiado profundo.
Quem saberá descobri-lo?
IV
Tu vives, mas não desde um tempo limitado.
nem duma época conhecida.
Tu vives, mas não por espirito ou por uma alma
porque Tu és a alma de todas as almas.
Tu vives, mas não como a vida do homem, que
se sssemelha a uma sombra vã e que acaba pela cor-
rupção e pelos vermes.
Tu Vives, e aquele que puder atingir os Teus
mistnrios gosará de uma beatitude sem fim, dela se
nutrirá e viverá eternamente.
V
Tu és grande, e toda a grandeza se rabaixa pe-
rante a Tua, toda a superioridade se amesquinha.
Tu sé grande, acima de toda a imaginação, mais
N.º 041, Ab 5691 (Jul 1931)
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